O nosso ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o termo raça não deve ser usado no Brasil. Realmente para a Biologia não existe raça. Mas sociologicamente sim.Se não existisse raça, não teríamos racismo.
Se não tivéssemos racismo, não teríamos preconceito.
Temos preconceito. Temos racismo. Temos raça. E temos hipocrisia.
Eu não gosto de dados estatísticos, pois temos pesquisas pra todos os gostos, mas vou recorrer a eles.
Hoje no Brasil 98% dos executivos das 500 maiores corporações são brancos; 1,7% são negros (pretos e pardos) e 1,3% são asiáticos. Com um pequeno detalhe: 50% da população é formada por brancos, 47% por negros e apenas 3% por asiáticos.
Quanto maior o cargo maior a diferença salarial entre negros e brancos. Se forem mulheres negras a diferença ainda é mais gritante.
Hoje temos preconceito, fundado muitas vezes em piadas e estereótipos.
O padrão de beleza é o do cabelo liso.
A empregada da novela é quase sempre negra.
O negro rico é traficante.
Infelizmente isso ainda acontece num país multi cultural como o Brasil. O negro ainda não é cidadão brasileiro. Ainda não tem acesso ao bem estar e à dignidade.
Que o Dia da Consciência Negra que passou seja o Dia da Consciência Nacional Sobre a Questão do Negro.
Obs: Essa é uma matéria muito bacana da FolhaOnLine - Ilustrada 23/11/2008
Na televisão, a pequena Taís Araújo via Xuxa, linda, loira e rainha dos baixinhos. Todas as suas amigas do colégio particular, onde era a única negra, aderiram à moda Chitãozinho e Xororó e cortaram os cabelos lisos no estilo "mullet", comprido atrás e repicado em cima.
"Fui cortar o meu também, amor. Fiquei igual a um poodle", conta Taís, rindo, ao se referir aos seus cabelos crespos.
A atriz, que completa 30 anos na próxima terça, leva no bom humor, mas admite que "são coisas muito pesadas para uma criança". "Meus pais e meu colégio me deram segurança suficiente para eu poder hoje brincar com isso, que é muito sério. Era impossível me identificar com os ídolos da televisão."
De fato, um estudo aponta que, desde o início da teledramaturgia brasileira até a adolescência de Taís, os negros, quando apareciam, não eram os heróis. O livro e documentário "Negação do Brasil" (2000), de Joel Zito Araújo, mostram que interpretavam principalmente empregados domésticos, escravos e criminosos.
Nos últimos anos, acredita Taís, meninas e meninos negros passaram a ter referências positivas na TV. E seu nome está ligado à mudança. Ela foi a primeira mocinha negra em uma novela majoritariamente feita por atores brancos ("Da Cor do Pecado", 2004). "Quando me chamaram, pensei: "Meu Deus, como isso é importante para a sociedade! Se a Globo aceita, o Brasil vai aceitar."
Se Taís se tornou a princesa negra da TV, Lázaro Ramos é o príncipe. Formado no Bando de Teatro Olodum, grupo de atores negros de Salvador, o ator, 30, só teve papel de protagonista desde que chegou à TV.
Para ele, a televisão vive um "momento de reconstrução na questão da inserção do negro. "Há novelas com muitos atores negros, mas que falam da violência, e há negros nos papéis de médico, gay..." Mas ressalta que sua carreira "é exceção". "A TV vem mudando muito lentamente e ainda não foi tão esperta quanto a publicidade, que já percebeu que o negro é consumidor e quer se ver refletido."
Para ele, "é preciso parar com esse negócio de tratar negro como ator negro". "O personagem de Fábio Assunção [mocinho da novela "Negócio da China", afastado por problemas pessoais após esta entrevista] poderia ser feito pelo Rocco Pitanga. Eu, no começo da carreira, fiz testes e consegui papéis variados, como o surfista de "Carandiru" e o garoto de "O Homem que Copiava". Agora que sou famoso, recebo convites com a rubrica "ator negro". [Devem falar:] "Ah, tem esse cara aí que é negro e é bom ator."
A sociedade brasileira se mostra dividida ao analisar a representação do negro na TV (veja ao lado). Enquanto 31% dizem que os negros aparecem da forma como realmente vivem, 27% acham que são retratados de forma mais positiva do que vivem na realidade e 33%, de forma mais negativa.
Para Milton Gonçalves, 74, que sempre lutou por personagens fora dos estereótipos e criou polêmica ao aceitar seu atual papel de político corrupto em "A Favorita", até hoje "o negro aparece na TV só para dar uma cor local". "É como a TV americana, que põe um apresentador branco, um negro, um latino e um asiático."
Ele avalia que a TV "está estagnada". "Os protagonistas de Taís e Lázaro são conquistas, mas nada que tenha alterado. Com é que o fato de eu fazer um corrupto ainda causa irritação? Por que não podemos ser vilões?"
Joel Zito Araújo também acha "uma bobagem" discutir se o negro pode ou não interpretar vilões. "Minha crítica é a ausência de atores negros em papéis positivos. E os negros ainda continuam naquela cota de sempre de 10% do elenco."
Para o cineasta, "a televisão piora a realidade do negro, que ainda é raramente incorporado. Para equilibrar um peso enorme da representação histórica, a TV deveria até retratar o negro de forma mais positiva porque certamente tem o papel de transformar a realidade".
Ruth de Souza, primeira protagonista negra da teledramaturgia, em "A Cabana do Pai Tomás" (1969/70), novela sobre escravos, resume a questão com a sabedoria de quem chegou aos 87 anos, mais de 60 de uma carreira com consagrados papéis: "A TV conta histórias, e o negro tem que participar normalmente, como de todos os segmentos da sociedade".
Um comentário:
Hey Friend!
Sibre meu pessimismo, esquenta não, eu supero!
Nossa isso sobre os esteriotipos dos negros na TV é fato, fico boba em como as pessoas ainda não cairam na real, discriminação é o fim da picada! Mas hj quem não é discriminado, negro, pobre, homossexual, gordo e por ai vai!
Uma dica, le ADMIRAVEL MUNDO NOVO, e veja aonde vamos parar!
bjos
te amo muitooooooo
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